intimidades
11 11UTC junho 11UTC 2010
dentro de mim, deste
pendor vazio
um fauno inveterado grita, rááá ráááá
e rasga crepúsculos. e invade perdidas dimensões.
adentra bibliotecas e rasga livros. resvala
na pele do tempo…
e são breves suas visitações. mas
o tempo sangra. as folhas com tantos escritos voam
(viram pássaros!) e arranham novos corpos,
como se dá
também o sorriso da noite.
e quantas estrelas o fauno atordoa?
se sabe que nunca mais retorna
ou quando, com garras de aço
assanha os cabelos-luz dela,
e pousa quase dócil sobre a maciez de seus seios.
e olha profusamente para dentro de suas vestes tuaregues
nos seus olhos negros,
antes de adormecer cálido
como só um fauno dentro de mim pode ser.
amor para o fauno.